No entanto, o deputado – ao mesmo tempo em que quer retomar a atividade econômica e valorizar riquezas nacionais – cai em algumas contradições

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é um dos pré-candidatos bem posicionados nas últimas pesquisas eleitorais e está adotando um discurso favorável aos investidores do mercado financeiros.

O ex-militar tem defendido os debates econômicos e se mostrou a favor da independência do Banco Central, "com regras e mandato fixo". "É lógico que [minha visão] é liberal. Estou indo para os EUA, não para a Coreia do Norte", afirmou o deputado em entrevista à Folha de S. Paulo, poucos dias antes de voar para os Estados Unidos.

Bolsonaro tenta se afastar da farda de "militar estatizante", defendeu privatizações e até a extinção de algumas estatais que, segundo ele, são "cabides de emprego". "Naquela época [do regime militar], a única alternativa eram as estatais. Quem iria fazer Itaipu? Ninguém. Hoje em dia, ao privatizar, você diminui muito a questão da corrupção", disse.

Como destaca a Folha, na última semana, Bolsonaro disse que teve três reuniões com grupos de investidores. O deputado diz que está entusiasmado com a validação qu diz receber do setor financeiro. "Se eles estão vindo, é porque estão sentindo alguma possibilidade", afirmou.

Bolsonaro confessou ainda que a pauta liberal está em andamento e que está se cercando de conselheiros. No entanto, o deputado – ao mesmo tempo em que quer retomar a atividade econômica e valorizar riquezas nacionais – cai em algumas contradições.

Segundo ele, o Brasil não pode ser protecionista. Bolsonaro quer acabar com a "ideologia" no comércio exterior e pretende fazer alianças com EUA, Japão e Coreia do Sul. Porém, ele também critica investidores chineses e vê com maus olhos brasileiros que foram produzir no Paraguai para baratear a produção.